terça-feira, 22 de maio de 2018

13:12

A Viagem de Chihiro - A Fantasia Sobre a Realidade

    
Chihiro e seus pais estão de mudança para uma cidade diferente, na qual irão morar. No caminho até a nova casa, o pai resolve pegar um caminho diferente, os levando a uma construção. Ao atravessar a construção os pais se deparam com um parque abandonado e com uma mesa recheada de alimentos. Eles resolvem comer essa comida, mesmo sem ninguém por perto, e, por consequência disso, quando a noite chega, eles se transformam em porcos. Ao escurecer começa a surgir também espíritos por todo o local e Chihiro acaba ficando presa nesse parque, que seria como um resort para os espíritos relaxarem. Cabe agora a ela conseguir escapar desse lugar e achar uma forma de salvar seus pais.
Esse filme foi produzido pelo lendário Studio Ghibli, um estúdio de animação japonês que possui cerca de 20 filmes do gênero já produzidos. A Viagem de Chihiro é um filme bastante premiado, e até mesmo levou o Oscar de melhor filme de animação em 2003, tendo vencido nomes de peso como A Era do Gelo e Lilo e Stitch. O diretor da animação é Hayao Miyazaki, que também é um dos fundadores do Studio Ghibli,  e consegue nessa animação demonstrar bastante aspectos que falam diretamente ou indiretamente sobre a humanidade em geral.
O filme utiliza metáforas, para falar sobre vários aspectos e comportamentos humanos como  ganância e trabalho por exemplo, e, em complemento a essas metáforas, existe um realismo e detalhismo impressionante nos movimentos dos personagens. A suavidade nesses movimentos e expressões chegam a impressionar e a criar um maior envolvimento com o público já que a fantasia se torna mais real e a imersão maior. 
Além da história criativa, as belas cores escolhidas no filme e a trilha sonora impecável tornam a experiência melhor ainda. Lembro que quando fui assistir a este filme já era bem tarde e achei que teria que pausar e continua-lo no dia seguinte, mas me envolvi tanto com a história que não conseguiria dormir sem saber como ela terminaria.
Além disso tudo, o filme possui alguns momentos onde os personagens sentam e apenas param para observar a paisagem ao seu redor. Esses momentos não tem muita conexão com a história e são como pequenas pausas, mas ainda assim são bastante importantes, pois dessa forma além de podermos observar mais o mundo do filme , também conseguimos captar ainda mais toda a essência dos personagens e seus sentimentos nestes momentos.
O filme possui alguns momentos que podem ser grotescos e um pouco pesados, como personagens sangrando por exemplo, mas nada que afete a obra como um todo e por isso crianças poderiam assistir também. A classificação indicativa é Livre. Por ser um filme com uma história divertida, animada, rica em detalhes e cheia de mensagens, o filme pode agradar tanto o público infantil quanto o público mais adulto, sendo um excelente filme para assistir com a família e para passar o tempo. Dessa forma, A Viagem de Chihiro é um filme que vale muito a pena ser visto.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

08:14

Batman A Piada Mortal - Humanizando a loucura

O Coringa consegue escapar, sequestrando o então comissário Gordon e começando a tornar seu dia um verdadeiro inferno, com o objetivo de tentar comprovar uma tese que demonstra que as pessoas comuns não são tão diferentes dele como estas pensam , esta tese pode ser definida da seguinte maneira: mostrar que qualquer pessoa do mundo poderia ficar louca, bastando apenas ter um dia verdadeiramente "ruim".
O início do filme funciona mais como uma apresentação da personagem Batgirl, filha do comissário, Barbara Gordon. Não há grandes momentos nessa parte do filme, o vilão desse momento é bastante fraco, e possui uma fixação fora do comum pela Batgirl  (o filme não explica o motivo dessa enorme obsessão). Essa parte do filme não existe na HQ (História em quadrinhos) , porém é interessante notar alguns aspectos no relacionamento entre o Batman e a Batgirl: na animação observamos uma humanização bem evidente nos personagens, até mesmo no Batman, que parece sempre ser uma pessoa fria e distante, mas aqui ele demonstra que possui alguns tipos de "sentimentos" e chega  ser até interessante por um tempo observar esses momentos meio "dramáticos" envolvendo tanto o Batman, quanto a Batgirl. Porém, isso acaba ficando cansativo com o tempo e desperta uma certa inquietação para que algo realmente impactante aconteça no filme, e, então, esse algo finalmente acontece, o Coringa surge.
O aparecimento do Coringa melhora muito o enredo da animação, a trama toda, no geral, muda completamente quando o personagem surge trazendo toda sua psicopatia doentia para a animação. Mas aqui o Coringa também aparece mais humanizado. Durante o decorrer da história, começamos a assistir alguns flashbacks da história do personagem mostrando um pouco como ele era antes de se tornar o palhaço psicopata. Os flashbacks funcionam muito bem, saber a origem e o que motivou alguém como o Coringa a enlouquecer aumenta bastante o interesse na história do personagem e o que ele tenta dizer através de suas ações.
Apesar da subtrama fraca, ela acaba se ligando bem à trama principal, onde o coringa tenta comprovar a teoria (já citada) que elaborou, que seria demonstrar que qualquer pessoa poderia enlouquecer se tivesse um dia ruim. No caso a loucura seria algo como uma fuga daquela realidade horrenda na qual o personagem tenta demonstrar que todos nós estamos incluidos. 
O filme consegue ser bastante interessante apesar de seu início um pouco fraco, possui alguns problemas como personagens bem desinteressantes como o vilão inicial, mas compensa com uma profundidade enorme em outros personagens como o Coringa e o Batman. Sendo baseado em uma das melhores HQs que eu já tive a oportunidade de ler, Batman - a piada mortal é um bom filme, não é perfeito, possui seus problemas, mas consegue se sair bem sendo uma adaptação até que bastante fiel. Finalizando aqui essa crítica com essa fala do Coringa"Quando o mundo está cheio de preocupações, e todas as manchetes gritam desespero...quando tudo é estupro, fome, guerra e a vida é cruel...há uma certa coisa que eu faço, que vou passar para vocês...que é sempre garantido que me fará sorrir...sim...eu fico louco!"




sábado, 7 de abril de 2018

10:03

A Chegada - Criando Um Diálogo Universal

Arrival ("A Chegada" em português) é um filme de 2016, do diretor Denis Villeneuve (Blade Runner 2049, Os Suspeitos e O Homem Duplicado), protagonizado pela atriz Amy Adams (Trapaça, O Homem de Aço, Animais Noturnos) e Jeremy Renner (Vingadores, Terra Selvagem e Guerra ao Terror), além de outros ótimos atores como Forest Withaker.
Uma linguista, com uma vida até então comum, acompanha por noticiários os acontecimentos que estavam transformando o mundo em um caos. Naves alienígenas pousam na Terra e permanecem imóveis, despertando o medo em boa parte da população mundial. Os militares então, resolvem tentar se comunicar com esses supostos alienígenas, e pedem a ajuda da linguista Dr. Louise Banks (Amy Adams)para conseguir criar um diálogo com eles e descobrir o propósito deles na Terra.
  As diversas naves alienígenas surgem em vários cantos do planeta, assim, cada nação aplica seus métodos para conseguir desvendar o objetivo dos alienígenas. As nações buscam uma cooperação mundial para agilizar o processo, mas algumas surpresas ocorrem e essa cooperação acaba e o medo de uma possível guerra se instala.
  A trilha sonora e a fotografia cinzenta consegue passar um sentimento de tensão e ansiedade, não só nos personagens principais, mas também em todos que estão inseridos no filme, inclusive no próprio espectador. 
 O filme consegue despertar uma série de questionamentos sobre diálogos e sobre a própria natureza humana, que diante daquilo que não consegue entender, acaba entrando em pânico. O filme pode não agradar todos os gostos, pois em grande parte é um filme calmo, com bastante diálogos e um final um pouco difícil de se compreender. Ainda assim o filme consegue ser um espetáculo visual com ótimas cenas e personagens muito bem desenvolvidos.
   Diante dos acontecimentos do filme, iremos reparar em como a humanidade se mostra sensível perto de acontecimentos cósmicos. Vivemos uma vida inteira preso a idéias como sucesso financeiro e estabilidade, e não conseguimos as vezes ter tempo para questionar onde realmente estamos inseridos.
   Conhecer a história do universo é conhecer a nossa própria história. Vivemos tempos difíceis, onde em diversas partes do mundo a violência assola a vida de milhares de pessoas e cada vez mais o mundo perde o sentido, continua ficando cinza e pouco a pouco chegando ao seu  limite natural. 
   Sendo assim, o filme é muito recomendado para quem deseja refletir mais sobre a humanidade e como apesar da globalização, continuamos muito distantes. 




quinta-feira, 8 de março de 2018

19:26

Her - A Solidão dos Romances Futuristas

    Her, ( Ela, em português) é um filme escrito e dirigido pelo diretor Spike Jonze (que ganhou um óscar de melhor roteiro original nesse filme), conhecido por filmes como Adaptação, Onde vivem os monstros e Jackass. Lançado em 14 de fevereiro de 2014 no Brasil, o filme é protagonizado pelos atores Joaquin Phoenix (Gladiador) e Scarlett Johansson (Vingadores), além de outros nomes de peso como Amy Adams (A Chegada) e Chris Pratt (Guardiões da galáxia).
     É impossível não sentir a solidão angustiante que paira sobre o personagem principal da obra, Theodore, que está passando por um processo de divórcio com a ex-mulher e ainda não conseguira assinar os documentos que oficializam o tal. Destacando ainda mais toda essa solidão, é interessante notar como as roupas de Theodore apresentam cores mais vivas, em contraste com uma cidade "cinza", sem vida, como se fosse um grito do personagem buscando um pouco de atenção.
     Theodore é alguém que consegue captar a essência das pessoas. Ele consegue olha-las profundamente, reparando nelas e as compreendendo. Ironicamente, não consegue compreender muito a si mesmo, fugindo das próprias emoções, buscando apenas situações confortáveis, como videogames e conversas com estranhos online, sem lidar com as desagradáveis, como seus próprios sentimentos conflitantes. 
     Nesse contexto de fugir dos próprios sentimentos e de não conseguir seguir com a vida adiante após o término, Theodore, após sair do trabalho, assiste a um comercial sobre um novo produto em circulação, o OS1, um sistema operacional consciente. O SO não é como um robõ convencional que recebe ordens em um computador, ele possui vontade própria e evolui conforme socializa com os humanos que o adotam. Ele literalmente possui consciência do que é, do que faz e da própria existência.

      Theodore então, inicia uma amizade com seu SO, que se chama Samantha, e essa relação irá crescer muito com o passar do tempo e se tornará algo maior, criando um romance entre os dois. Apesar de ser apenas uma voz no computador, a sensação que se passa é que Samantha realmente está presente naquele lugar, como se estivesse ao seu lado, o escutando perfeitamente, o olhando e conversando como se fosse uma pessoa comum.
      Apesar de Samantha ter sido progamada para aprender cada vez mais com os humanos, Theodore parece aprender mais com ela, do que ela aprende com ele. Graças a ajuda de Samantha, ele consegue escapar da enorme solidão que estava inserido, e começa novamente a ver beleza na vida. Samantha acaba mudando ele completamente, o transforma, mas acima de tudo, consegue fazê-lo deixar de correr de seus sentimentos, lidando com eles e tentando os compreender.
      Sendo assim, durante o relacionamento dos dois, Theodore entra numa jornada de autoconhecimento, descobrindo fatos sobre si mesmo, e aprendendo até mesmo com seus erros. É uma jornada de descobertas sobre si mesmo do personagem, que se vê perto de cometer os mesmos erros do passado, mas resolve dessa vez fazer algo a respeito.
      Her é um filme tocante, que desperta uma série de questões sobre o amor, a vida e a humanidade no telespectador. Sendo particularmente um dos meus filmes favoritos, é um filme que eu recomendo e muito, e que com certeza você irá carregar por um bom tempo.
       
         

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018